Por Renan José e Sérgio Moura
Nem todos os cinemas do Brasil tem acesso a todas as pessoas com deficiência
A partir de janeiro de 2020, a determinação da "Instrução Normativa 128/2016", da Agência Nacional de Cinema (ANCINE) será obrigatória oferecerem ofereçam legenda descritiva, audiodescrição e Língua Brasileira de sinais (Libras) para quem solicitar.. Está lei está em vigor desde 2016. Ainda em 2019, os cinemas terão que cumprir com algumas exigências impostas pela ANCINE, a primeira é que 15% das salas de grandes complexos até 16 de junho.
Segundo o secretário-executivo da ANCINE, João Pinho “agora a gente entrou efetivamente na segunda fase, que é o monitoramento do cumprimento em si”. E destaca que à meta de 15% foi atingida no tempo em que eles determinaram. (Clique aqui e confira a lista de salas de cinemas que se adaptaram.)
Segundo Luiz Felipe, gerente do Multiplex Shopping Campo Limpo, pessoas com deficiência auditiva, necessitam de legenda, “se um deficiente auditivo quiser ver um filme, que foi produzido no Brasil, ele não vai conseguir, as produções brasileiras não contêm as legendas em seus filmes”.
| Foto: Sérgio Moura |
Os exibidores devem atingir 35% das salas dos grandes complexos e 30% das salas de grupos menores, até 16 de setembro.
Luana Rodrigues, 26 anos, estudante de jornalismo, gostou da nova lei para as salas de cinema do Brasil: “Será mais do que justo”. Os cinemas que não acatarem a nova lei, terão que arcar com uma multa, valor ainda não divulgado. “Essa obrigatoriedade tornará mais fácil para que qualquer deficiente chegue a um cinema, e possa ter a satisfação de ser acolhido pelo local sem passar constrangimento, e não se sentir inferior devido a qualquer deficiência que cada um porta”, Comenta Rodrigues.
Foto: Sérgio Moura; área reservada para pessoa com deficiente física.
E o que se vê, as vezes, é o preconceito por parte do público e funcionários com deficientes mas, é preconceito? Não, muitos dos funcionários não recebem orientações para receber as pessoas com algum tipo de deficiência, o público então. Dificilmente se vê alguém com algum preparo.
Muito ainda se tem a melhorar, para ser dito “agora todos podem ir ao cinema”. A exemplo por mais espaço para deficientes físicos no cinema, “seria ideal salas semiplanas e mais lugares para deficientes no fundo, mesmo existindo esses lugares no fundo, seria insuficiente”, diz Rodrigues.
João Carlos, 40 anos, deficiente auditivo, conta sua experiência, em libras, no cinema: “É uma experiência diferente, para quem apenas enxerga, fico pensando em que não enxerga, apenas escuta, ficar imaginado o que está acontecendo no filme. Já a mim penso na trilha sonora do filme, ‘como será?’, ‘o som é alto ou baixo?’, quando vejo os filmes, penso bastante nisso”.
Mas como dito antes, produções brasileiras não tem a legenda para o deficiente auditivo, “me atrapalha bastante, não sinto aquela vontade de assistir um filme brasileiro, o último filme brasileiro que assisti foi Tropa de Elite (2007), antes deu perde a audição. Praticamente 12 anos sem assistir produções brasileira”.
Em pleno 2019, é difícil de acreditar que donos de cinemas, terem que esperar uma lei entrar em vigor para mudarem, adaptarem salas que deveriam ser adaptadas há muitos anos, sendo uma lei de 2016, porém sendo obrigatória em 2020, João: “Espero que se concretize isto”. Sendo que pessoas como João e Luana esperam há anos para terem seus direitos.



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